Sou uma mulher Neanderthal

Resoluções pós-40. São tipo aquelas que se fazem no ano novo, mas em pior, porque há números envolvidos. A minha idade agora escreve-se sempre com “enta” na terminação. É bom que a balança não acompanhe a tendência para a decadência. Assim, depois de meses consecutivos de abusos alimentares que se manifestaram na balança e na roupa, hoje, 20 de Março, é oficialmente o meu primeiro dia da Dieta Paleo. “O que é isso?”, pergunta o meu marido, a achar que lá estou eu a inventar. Pois bem, foi o regime alimentar que achei que se adequava melhor ao meu estilo de vida.

Já tentei de tudo: dietas restritivas acompanhadas por nutricionistas de bife grelhado e salada o tempo todo. Comprimidos do Dr. Póvoas. Acupunctura no Pedro Choi. Regimes espartanos que me obrigavam a comer de 3 em 3 horas, a dormir como um bebé e a sofrer como uma condenada porque sim-ples-men-te a minha vida NÃO DÁ PARA ISSO! Jornalista nunca sabe a que horas come, onde come e o que há para comer. Jornalista viaja e devora junk food de aeroporto. Jornalista tem almoços de trabalho onde não escolhe a ementa. Tem pequenos-almoços no Ritz e toda a gente sabe que o pequeno-almoço do Ritz é irresistível e não dá para sair de lá com um chá verde e uma uva no estômago. Tem lanches cheios de petit fours, trufas de chocolate belga. Tem cocktails regados a champanhe e bom vinho. E jornalista gosta disso tudo. Jornalista pode até ter boas intenções e planear de véspera uma marmita com comida saudável, mas é certo que se vai esquecer dela na primeira entrevista e acabar agarrada a uma sanduíche de coirato junto a um estádio de futebol. Esta é a verdade.

Nunca fui mulher de dietas. Passei grande parte da infância e adolescência a ser empanturrada para ver se deixava de parecer uma criança do Biafra. Habituei-me a comer o que me apetecia, às horas a que me apetecia, sem pesos na consciência. Feijoada ao lanche? Vamos lá! Esparguete frito em alho e azeite antes de deitar? Venha ele! Fast food de todo o género. Refrigerantes. Chocolates, gelados, marshmallows, de preferência tudo num balde e com topping de caramelo, por favor. E não estou a exagerar, tenho testemunhas.

Saudades de um hamburguer
Saudades de uma dose de batatas fritas…

Tive a sorte de a genética ter ajudado durante uns anos, mas um dia a sorte acaba. Por isso, quando as calorias começaram a fazer efeito, foi estranho ter de mudar o chip. “Não sei comer de outra maneira, vou atacar com exercício físico”, pensei. Fortunas gastas em ginásio, personal trainer (um dia apresento-vos a minha PT) e quilómetros (muitos) de corrida depois, constato aquilo que já sabia mas recusava aceitar: a camada adiposa combate-se à mesa – embora o exercício físico ajude.

E não pensem que não me documentei. Li tudo. Os “31 Dias” da Ágata Roquette. As “Princesas” da Catarina Beato. A “Dieta Perfeita”, a da “Barriga Zero”, a do “Metabolismo Rápido” e o que mais apareceu pelo caminho. E então cheguei ao Paleo (que é como quem diz, dieta do Paleolítico, do tempo quem que o homem era nómada, andava quilómetros à procura de comida, comia quando podia e o que havia, que não passava por Big Macs e grandes baldes de pipocas). A parte boa é que, além da melhoria da saúde blábláblá, esta dieta não me obriga a comer com hora marcada. Aliás, os longos jejuns eram comuns no paleolítico. Não me faz passar uma fome dos diabos meia hora depois de ter comido um mini bife de frango grelhado com alface. Pelo contrário, incentiva-me a comer “à homem” (que é como eu gosto, sem farelos e sementes de chia, sem bolachas de contraplacado e doses de periquito), carne e peixe em quantidades respeitáveis, omeletes com bacon ao pequeno-almoço, tudo coisas que me sabem bem e me vão deixar, de certeza, mais composta até à refeição seguinte. Claro que nem tudo são rosas: não são permitidos açúcares, nenhuma espécie de cereal ou refrigerante. Ou seja, adeus esparguete. Adeus batatas fritas. Adeus pãozinho branco e quentinho, acabado de cozer. Fora com os chocolates todos que tinha escondidos nas gavetas. bye-bye sobremesas maravilhosas de colher com leite condensado e ovos moles. Até à vista, minha amiga de sempre Coca-cola…

Hoje é dia de trocar o MacDonald’s por uma caverna. Não sou uma mulher do terceiro milénio, sou uma modern cavewoman. Vamos lá!

Os alimentos permitidos.
Os alimentos permitidos. Não são poucos.

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