Dormir, o maior luxo de uma mãe

Nem sempre a sexta-feira é sinónimo de descanso...
Nem sempre o fim-de-semana é sinónimo de descanso…

Ontem foi dia de fazer de conta. Há anos que andava a ouvir falar desse dia maravilhoso que se celebra em Março, o World Sleep Day (Dia Mundial do Sono). Nota prévia: assumo aqui sem pudores que dormir é dos maiores prazeres que tenho (tinha) na vida. Só que esse dia aconteceu há uma semana, andava eu perdida entre preparativos para o arranque do blog, jantaradas combinadas, viagens de trabalho e nem me apercebi que o dia tinha chegado. Foi a 13 de Março, mas que se lixe. Apeteceu-me gozar este dia como se fosse um feriado especial. Apetecer nem será o termo certo – precisava. Uma criança de cinco anos em permanente interacção com um cão de três meses de idade – e toda a energia que deles emana – é coisa para arruinar qualquer fim-de-semana em casa, especialmente se a ideia for ter alguns minutos de sossego. Sapatada, latido, palmada, rosnadela, grito, dentada, choradeira, gritaria. Em repeat, a partir das 7 da manhã… Tudo isto pontuado com 25 “oh mããããe!” por minuto. Ninguém aguenta e aqui pode aplicar-se aquela máxima do Natal, que é quando se quiser. Decisão tomada, o World Sleep Day repetir-se-ia a 21 de Março, ponto final.

Comecei então a preparar o terreno. O meu World Sleep Day tinha de ser perfeito. Primeiro passo, accionar o “Plano Avós” e despejar lá a criança junto com a maleta de fim-de-semana e uma tonelada de brinquedos. O cão ainda não está educado a ponto de ser convidado para fins-de-semana fora, por isso ficou, mas sozinho, sem o “irmão” mais velho fica mais sossegado.

No ano passado fui convidada para passar uma noite no Lisbon Ritz Four Seasons. Foi lá que me inteirei melhor do quão complexo pode ser isto do Dia do Sono. O grupo Four Seasons lançou nessa altura uma aplicação/revista online própria com dicas e boas práticas para uma boa noite de sono – e é um mundo! Do colchão aos lençóis, passando pela firmeza da almofada, a temperatura do quarto, a iluminação, feng-shui aplicado à decoração do quarto, nutrição pré-sono, acabando em amenities com aromas que propiciam um sono descansado, vale tudo, até uma hashtag – #inbedwithFS – e chat no Twitter com a Dream Team FS. Priceless. Inspirei-me neles para preparar a minha noite de sono em casa. Parece ridículo, mas não me lembrava da última vez que dormi como um bebé…

Quando for grande e já não tiver colégios para pagar, invisto numa destas.

Segundo passo: o quarto. A temperatura é perfeita, sem ar-condicionado, 2o graus. A iluminação também não é uma preocupação. A cama é banal, nada de especial, longe de ter o conforto de uma Hästens – a propósito, em breve publico na Fora de Série uma reportagem que fiz em Köping, na Suécia, terra onde são feitas as camas alegadamente mais caras e confortáveis do mundo, onde tive o prazer supremo de dormir numa Vividus, a topo de gama, e participar no processo de fabrico delas. Depois partilho aqui – ou dos colchões à medida do Four Seasons. Mas é a minha cama e, à falta de outra, teve de dar para o gasto. Tenho sorte: as almofadas são Hästens, grandes, fofas, perfeitas.

Fiz a cama de lavado com lençóis 100% algodão. Adoro aquela sensação crispy dos lençóis com marcas do ferro de engomar acabados de estender na cama, a cheirar a amaciador e detergente de roupa. Reforcei o cheirinho com o Pillow Mist relaxante da L’Occitane que trouxe do spa do Bela Vista Hotel & Spa, no Algarve, e que adoro porque cheira a lavanda e faz-me lembrar o meu avô materno.

Atenção: mãe a descansar. Proibido gritar "mãããããe!"
Atenção: mãe a descansar. Proibido gritar “mãããããe!”

Passo seguinte, vesti um pijama fresquinho, levei o livro que ando a ler para a mesa de cabeceira e esqueci as tecnologias. Dizem que são a principal causa dos distúrbios de sono da actualidade, por causa da luz azul que emitem e que interfere com a produção de melatonina. Em 30 segundos estava a dormir como um anjo. Não precisei de banhos de imersão, nem de leite morno, nem de contar carneiros. O sono chegou e tomou conta da ocorrência. Suspeito que foi por saber que no dia seguinte o despertador não ia tocar. Que às 7 da manhã não teria uma vozinha a pedir-me para ligar a televisão e a gritar, de tempos a tempos, que tem fome, que quer leite, que se sente sozinho, que tem frio, que tem calor, que tem tosse, que está enjoado, que tem outra vez fome, que tem sede, que o cão fez xixi, que o próprio também quer fazer xixi. Tudo pontuado com o tal “oh mããããããe!” que me deixa louca.

Ontem levantei-me – eu e o cão – à uma da tarde sem me lembrar sequer de ter sonhado. Ontem foi o meu World Sleep Day. E soube-me pela vida. Para o ano há mais.

Foi mais ou menos assim...
Foi mais ou menos assim…

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1 comentário

  1. 🙂 Como eu a entendo, a minha filha tem três anos e senta-se ao ,meu lado pela manhã e diz ” Mamã, estou acordada”, depois de ignorada umas 20 vezes, começa a subornar-me com beijinhos, abraços e diz elevando lentamente o tom de voz ” amo-te muito mamã mas tenho muita fominha, vais acordar hoje?” Estou a pensar seriemente em seguir o seu exemplo e decretar para mim um World Sleep Day muito brevemente…

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