Nail shame

É um mal de que padeço neste momento. Depois de cinco anos de gel – que tão bem tapou as minhas unhas roídas com prazer desde a infância -, estou há meses a fazer o desmame, andando por aí a passear as unhas mais feias de sempre, mais finas que papel e mais quebradiças que porcelana de Limoges. Como para já o verniz está fora de questão sobre estas unhas-moribundas-em-recuperação, acho que encontrei a solução para não ter tanta vergonha de passear por aí as minhas mãos de lavadeira: vou apostar nas under nails.

“Deus mora nos detalhes”. A definição, atribuída nos anos 50 ao arquitecto alemão Ludwig Mies van der Rohe (sim, o mesmo sábio que disse que “menos é mais” e é pena que pouca gente o tenha levado à letra…) está para o luxo como Christian Louboutin está para as dores nos pés. Não sou particularmente fã do trabalho do senhor. Acho os sapatos dele uma ode ao desconforto e ao novo-riquismo, com um design bastante sem graça – quando não são tão histéricos como uma solteirona do século XIX. Confesso, embirro todos os dias com aquelas solas encarnadas: não dizem bem com nada, nem sequer com o chão que piso. Mas admiro a manobra de marketing que fez daquele encarnado – registado como pantone 18-1663 TPX – uma cor com dono e imediatamente reconhecível em qualquer red carpet.

Ao lançar o Loubi Under Nail, o verniz – encarnado, claro – que se aplica por baixo da unha, como se fosse uma sola dos populares Loubies, o Senhor Louboutin mostrou que tem rasgo. Louboutin não é Deus, mas percebe de luxo. Tem olho para os detalhes, sabe que eles contam, mesmo que só quem os usa saiba que lá estão. Já encomendei.

Louboutin a levar a manicure mais longe: verniz para as under nails, a sola encarnada aplicada às unhas.
Louboutin a levar a manicure mais longe: verniz para as under nails, a sola encarnada aplicada às unhas.

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