Fui à Índia e voltei em 90 minutos

Andava há semanas com aquela pontada no fundo das costas. Achei que era do stress. Achei que devia andar a dormir na posição errada. Achei que o miúdo estava a ficar pesado para andar ao colo. Mas o que é que uma mãe faz quando uma criança de cinco anos e vinte quilos adormece fora da cama dela? carrega-a como pode e é o que eu faço. Pagam as costas, mas ser mãe também é isso.

Calhou bem, por isso, o convite para ir ao Ritz Spa para conhecer a Zoni, a terapeuta vinda directamente do Four Seasons Hotel Mumbai (a capital financeira da Índia, entre nós conhecida como Bombaim), que vai ficar por cá a espalhar a sua magia até ao mês de Maio. Como o Ritz Lisbon faz parte dessa cadeia maravilhosa que é a Four Seasons, estes intercâmbios vão acontecendo de quando em quando. Depois do exotismo das Maldivas, da Tailândia, de Bali e do México, este mês chegou a vez de experimentar a mistura das técnicas ocidentais com a sabedoria oriental e as tradições ayurvédicas da Índia.

Dos três tratamentos do Four Seasons Mumbai disponíveis – Uzhichil (60 minutos, 165 euros), Tulaa (60 ou 90 minutos, 155 ou 200 euros) e Apoha Mizra (90 minutos, 215 euros) -, escolhi o último. Os 90 minutos de duração e o relaxamento prometido pela massagem de infusão de cânfora com pindas de ervas medicinais falaram mais alto.

Zoni recebeu-me numa das salas de tratamento daquele que é, para mim, o melhor spa de Lisboa. Deitou-me na marquesa e começou com uma massagem corporal com o tal óleo de infusão de cânfora, com um efeito quente e frio que, explicou-me, tem um efeito quase analgésico que actua sobre os focos de dor e, ao mesmo tempo, equilibra as energias yin e yang. Não faço a menor ideia do que seja, porque não sou uma pessoa dada às transcendências, mas a parte do analgésico foi tudo o que precisei de ouvir.

As mãos e os antebraços dela exploraram, de forma enérgica, os meus pontos mais stressados. Às vezes, a pressão era forte, quase dolorosa. Mas depois percebi porquê. O ligeiro sofrimento antecedia a sensação deliciosamente quente das pindas (uns saquinhos de algodão recheados com ervas medicinais aquecidas que eram aplicados no corpo todo) sobre as costas, as pernas, os braços. “Para aliviar a tensão e relaxar”.

As pindas são aqueles saquinhos brancos de algodão. Têm ervas medicinais que aliviam as dores.
As pindas são aqueles saquinhos brancos de algodão. Têm ervas medicinais que aliviam as dores.

 

As massagens de 90 minutos sabem a bónus. Quando achamos que vão acabar, recomeçam. Quando Zoni acabou a parte de trás, e antes de me mandar virar na marquesa, ainda me deixou K.O., com o fio de baba a escorrer até ao chão, ao fazer-me uma massagem ao couro cabeludo. Por esta altura a minha mente já pairava sobre a Índia. Bombaim, Deli, Bangalore, Jaipur… tanto faz. O modo viagem estava activado e a massagem ainda ia a meio.

Fui embora – o que é bom, infelizmente, acaba e a realidade chamava por mim – com aquela sensação de ter dormido 12 horas, enfrentei o resto da tarde com aquele ar estremunhado de quem não queria sair da marquesa nunca mais. E só há bocadinho percebi que a dor nas costas já não estava lá. Valeu cada minuto da viagem.

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