SuperCacau, o cão suicida

Ainda a propósito da coleira do cão, depois do último domingo acho que ele vai precisar de uma coisa deste género. Ou de uma capa. Ou ambos. E um kit também para mim, já agora.

Há dias em que mais valia não sair da cama. E depois há semanas tremendas, que culminam em dias como este. Aquele domingo tinha tudo para correr mal. Com tanto trabalho acumulado no escritório, sobrou para o fim-de-semana. Sozinha em casa com um jovem rapaz hiperactivo que está convencido que é um super herói da Marvel e um cocker spaniel de quatro meses com a energia de uma família de coelhos da Duracell, desdobrei-me entre gritos, lanches, cocós de cão e o computador. Tudo corria sobre rodas – apesar dos solavancos e dos percalços – até chegar a hora do jantar, em que tive de juntar o factor cozinha à equação.

Pus uma panela ao lume com os ingredientes para fazer um refogado rápido e deixei-o a apurar enquanto voltei ao portátil para acabar um e-mail em dois minutos. Que se transformaram em vinte e assim continuariam não fosse o F. chegar a casa e deparar-se com um fogão em chamas. Entre apagar o fogo, tornar a atmosfera de novo respirável com as janelas todas da casa escancaradas e dar uma ordem ao caos instalado na cozinha, apercebo-me, de repente, que estou a ouvir o cão a ganir. Não na sala. Não no quarto. Não na cozinha. Mas na rua. Espreito pela janela, e lá está ele. O meu bebé-cão, sozinho e assustado, estendido no passeio.

[Calma, não é caso para chamar a Liga Protectora dos Animais. Vivo num rés-do-chão e foi um acidente. O cachorro, curioso, apanhou a janela aberta e foi espreitar. Deve ter espreitado com demasiado afinco, ou não aguentou o cheiro a queimado, porque foi parar lá abaixo, um metro e meio mais abaixo. O suficiente para ficar apavorado e pregar-nos a todos um susto de morte].

SuperCacau

Detalhe palerma que dá um certo colorido ao relato: quando vejo o Cacau caído no passeio, não me ocorreu senão voar pela janela para o salvar. De tanto Hulk, Capitão América e Homem Aranha que anda por esta casa, devo ter apanhado a febre sem me ter apercebido. Moral da história, acabámos o serão de domingo no veterinário, com o cão a ganir e a criança em prantos. Saímos de lá 150 euros mais leves e com o cão óptimo, sem um arranhão, depois de uma bateria de exames. Jantámos às duas da manhã uma pizza manhosa e ficámos com uma panela preta e uma cozinha cheia de fuligem. O nosso filho foi para a escola no dia seguinte contar que o cão tentou o suicídio e que a mãe é uma espécie de super mulher que voou atrás dele para o salvar (esta parte gostei). Felizmente ninguém acreditou. Ah, e colámos as janelas da sala com super-cola. Não vá o Cacau perceber que vive numa casa de gente doida e tentar a fuga novamente…

* Este post entra na categoria “Pessoas” porque, obviamente, o Cacau é um cão-pessoa.

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