Marta dos 7 ofícios

A Marta Rebelo lançou um blog. Uma semana antes de o fazer, lançou-me um desafio: estrear uma rubrica no blog dela chamada UBLOGME. Ela, enquanto futura blogger, escolheu-me, enquanto blogger recém-nascida (suponho), para que ambas exercêssemos uma na outra a arte do styling. “Tu vestes-me, eu visto-te. Fazemos surpresa, nenhuma sabe ao que vai, e fazemos uma sessão fotográfica juntas. Alinhas?”

“Alinho pois!” Adoro surpresas, adoro estes exercícios de criatividade. Não sou de todo especialista em editoriais de moda, mas já tive a minha conta deles na revista – e, graças a deus, tenho a sorte de trabalhar com o melhor stylist do universo, o Filipe Carriço, com quem já devo ter aprendido umas coisas. Além disso, a Marta é uma amiga de longa data, por isso não havia como correr mal. Marcámos o dia e a hora e cada uma lançou-se na criação de um conceito para a outra.

Lembrei-me que sempre que vejo a Marta, ao vivo ou em revistas, ela anda sempre vestida de preto. Ou preto e branco. De escuro, na maioria das vezes, Não me recordo de a ver com cores. E tinha pena. Por isso, ficou decidido – qualquer que fosse o tema do meu styling para ela, teria de ser colorido. Talvez algo étnico, tribal, para tirar proveito do corte de cabelo dela. Bastou uma passagem pelas minhas lojas preferidas, a Nude (que agora vai abrir nas Amoreiras) e a Stivali, para a coisa tomar forma. A Marta é provocadora, inconformada, com o seu quê de desalinhada. É um camaleão em termos de imagem – já a vimos loira, ruiva, morena, de cabelo curto, médio, longo, com franja, risco ao lado, masculina, romântica, coquette… Agora que se lança num novo desafio, na minha cabeça pintei-a como uma indígena, uma mulher forte, diferente, independente. Uma mulher de causas disposta a conquistar o mundo. Foi isso que tentei fazer. E o resultado foi este, em dois looks diferentes, um em chic, outro em casual. E com a participação especial da Nonô, a cadelinha de um ano e meio que anda sempre com ela.

Fotografia de Rute Obadia | Make Up de Raquel Batalha
Look #1 Garden Jungle Vestido Dries Van Noten | Sandálias “Tribute” Saint Laurent Paris | Carteira Saint Laurent Paris, tudo na Stivali | Fotografia de Rute Obadia | Make Up de Raquel Batalha
Calças Paul & Joe | Top M Missoni | Camisola-Turbante M Missoni | Sandálias Moschino, tudo na Nude | clutch Christophe Sauvat
Look #2 Urban Jungle Calças Paul & Joe | Top M Missoni | Camisola-Turbante M Missoni | Sandálias Moschino, tudo na Nude | clutch Christophe Sauvat | Fotografia de Rute Obadia | Make Up de Raquel Batalha

Entretanto, a Marta imaginou-me uma Golden Goddess, saída algures dos anos 70. Um look muito glam, meio Velvet Goldmine (por acaso um dos meus filmes preferidos da vida) meets Charlize Theron no anúncio do J’Adore Dior. Toda eu era dourado – na cara, no corpo, na roupa, nos acessórios, tanto no primeiro como no segundo look. É ver como fiquei, porque o conceito ela explica melhor no blog dela.

Vestido Intimissimi | Colar 39A Concept Store | Sandálias Zilian | Carteira Longchamp | Acessório de cabeça da produção Coleira e trela do cacau Gucci
Look1 Golden Goddess Vestido Intimissimi | Colar Ladrón de Arte na 39A Concept Store | Sandálias Zilian | Óculos de sol Fendi | Clutch Longchamp | Acessório de cabeça da produção | Coleira e trela do Cacau, Gucci | Fotografia de Rute Obadia | Make Up de Raquel Batalha
Rita Golden Goddess
Look1 Golden Goddess Vestido Intimissimi | Colar Ladrón de Arte na 39A Concept Store | Clutch Longchamp | Acessório de cabeça da produção | Fotografia de Rute Obadia | Make Up de Raquel Batalha
Rita UBLOGME
Look #2 Golden Goddess Calças Ladrón de Arte, T-Shirt Janeiro da TeeTrend, Pulseiras Hipanema, Kettlebell Jewels e By Marez e clutch Kettlebell Jewels, tudo na 39A Concept Store | Fita-turbante Trendsetter | Sandálias Zilian | Óculos Marc Jacobs | Fotografia de Rute Obadia | Make Up de Raquel Batalha

[A nossa história]

A Marta é daquelas amigas de quem já podemos dizer que conhecemos há quinze anos. Fomos apresentadas na redacção do extinto semanário Euronotícias. Éramos ambas jornalistas em início de carreira – estagiárias, a bem da verdade. Eu no Internacional, a Marta na revista. Demos-nos logo bem, empatia imediata, andámos em reportagem juntas, escrevemos alguns artigos a quatro mãos. A vida entretanto seguiu em frente. Eu troquei o Euronotícias pelo Diário Económico. A Marta escolheu ter um percurso mais ecléctico e fora do jornalismo.

Não é que tenhamos perdido o contacto, mas durante dois ou três anos vimos-nos mais espaçadamente. Intervalo de tempo suficiente para, quando voltei a ouvir falar nela, perceber que andava nos meandros da política. Fui acompanhando o percurso dela pelos jornais – de repente ela era notícia. Sorri quando soube que se tornou deputada na Assembleia da República e depois adjunta e chefe de gabinete do sub Secretário de Estado da Administração Interna no primeiro Governo de Sócrates. Imaginei-a – uma miúda viva, cheia de opiniões e causas mas também dada a mundanidades – no meio de todo aquele cinzentismo. Dizia-se que era das poucas “miúdas giras” que andavam pelo hemiciclo, entre os muitos comentários redutores com que foi brindada. Pelo meio deu aulas na Faculdade de Direito, foi jurista e, para surpresa geral, no ano passado largou tudo para se tornar consultora de comunicação e imagem. A “velha” Marta comunicadora que conheci no Euronotícias estava de volta. Disse que queria ser feliz, coisa que não conseguiu ser em nenhuma das actividades anteriores. Um brinde a decisões dessas!

E de repente, é vê-la activista dos direitos dos animais – mora com vários cães e gatos, que trata como filhos; a organizar eventos, desfiles de moda e coisas que tal. De tudo o que ficou para trás, apenas a escrita sobreviveu. “A única coisa que tenho 200% de certeza que sei fazer realmente muito bem, é escrever. Sou amante das palavras. Rebuscadas, simples, como forem”, diz ela. Um gosto que a levou a criar o conceito do Fabulista – que lançou há umas horas -, um magazine blog de fábulas e de listas de coisas fabulosas. Vou seguir de perto, claro.

Marta e Rita1

Rita e Marta

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