Eu, freak do material escolar, me confesso

Há taras que nos definem. Tenho uma desde pequena: material escolar. Quando toda a gente fazia por esquecer que as aulas estavam quase a começar, já eu andava num excitamento a pedir aos meus pais para irmos comprar borrachas, lapiseiras, compassos e esquadros. Aquele cheirinho a livros novos, a cadernos em branco, a madeira dos lápis todos ordenados no estojo… ainda não lhes resisto. Já estou aos pulinhos para, no final de Agosto, ir, pela primeira vez enquanto mãe, gozar em pleno da Campanha de Regresso às Aulas de um qualquer hipermercado, agora que o meu pequeno príncipe passou para o primeiro ano. Convenhamos que há taras bem piores.

Claro que, nesta era 2.0, em que o digital tornou o material escolar (e de escritório) simplesmente funcional, descartável, com uma menor preocupação com o design, quando aparecem marcas como a Fine & Candy, é caso para bater palminhas. É uma marca 100% made in Portugal, vende artigos de papelaria fina – blocos, lápis, agendas, papel de carta, tudo personalizável – com um conceito tão fantástico que já conquistou grandes concept stores mundiais como a Colette (em Paris), o Harrods e a Wolf&Badger (em Londres) ou bastiões da venda online como a Farfetch e a Luisa ViaRoma.

A Fine & Candy é uma das poucas marcas que se recusa a desistir do papel e o eleva à categoria do luxo, do supérfluo que nos dá tanto prazer e devia ser preservado a todo o custo. Talvez a pensar nisso, Artur Miranda e Jacques Bec, os sócios proprietários da OITOEMPONTO (grupo de arquitectura e design de interiores que detém a Fine & Candy desde 2012), decidiram abrir uma nova loja. Foi há dois dias, no Porto – para já, uma vez que não excluem a abertura, a médio prazo, de um espaço próprio em Lisboa -, e até na inspiração a marca dá cartas: o interior da loja faz lembrar uma muito nova-iorquina caixa de bombons, com o papel de riscas preto e branco em pano de fundo e chão e tectos em castanho-chocolate. Faz sentido. Para mim, uma loja destas é uma overdose de guloseimas. Se entrar, é garantido que me vou perder. E não é tão bom?

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Artur Miranda e Jacques Bec são os proprietários do grupo OITOEMPONTO e da Fine & Candy. Estão apostados em não deixar cair a tradição de escrever à mão. O papel, afinal, não morreu.
Artur Miranda e Jacques Bec são os proprietários do grupo OITOEMPONTO e da Fine & Candy. Estão apostados em não deixar cair a tradição de escrever à mão. O papel, afinal, não morreu.

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