Merkel em 50 tons

Agora também tenho um espaço(inho) nas páginas de Opinião do DE. São 800 caracteres – 1000, quando me estico – para falar da actualidade. Para variar.

Conta-se que Albert Einstein tinha o armário cheio de fatos iguais para não ter de perder tempo a pensar no que vestir. O presidente Obama faz o mesmo. Só usa fatos azuis ou cinzentos, para se concentrar nas “decisões realmente importantes”. Steve Jobs era conhecido por usar sempre a mesma camisola de gola alta preta e Mark Zuckerberg, o Mr. Facebook, nunca é visto em público sem a t-shirt cinzenta. O monocromatismo – que a psicologia atribui a uma condição decorrente da “fadiga decisiva” – é uma característica comum a todos estes poderosos.

Angela Merkel quis trocar as voltas à psicologia. A chanceler alemã aposta diariamente numa peça-chave – o blazer de três botões, um todo-o-terreno da moda germânica, assinado por Bettina Schoenbach – para enfrentar a crise da dívida na zona Euro. A mulher mais poderosa da Europa tem um trunfo no armário. Um único trunfo, mas em 50 tons, tão variados que já inspiraram a designer gráfica holandesa Noortje van Eekelen a criar um pantone com os seus looks. Ao que tudo indica, Merkel não sofre de fadiga decisiva. Nem consta que seja vira-casacas em matéria de discurso político. Conservadora inveterada – a avaliar pela escolha do modelo do casaco, apesar de as cores enganarem –, dominatrix financeira, teme-se pelo futuro dos gregos e da União Europeia. Esses sim, lixados em 50 tons.

         Crónica publicada originalmente aqui.

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