A mala de alumínio ganhou asas

Um convite da Rimowa para ir a Chicago conhecer uma novidade da marca – uma nova linha de malas de viagem, presumi – já era suficientemente interessante. Chicago, crime organizado, Al Capone, lei seca… a minha imaginação a trabalhar numa estética dos anos 30… Foi um sim imediato.

À medida que a data da viagem se foi aproximando, mais detalhes: de Chicago voamos para Oshkosh (sim, a terra onde nasceram as famosas jardineiras de risquinhas), para assistir ao maior festival aéreo do mundo. A Rimowa é conhecida por ter inventado as malas em alumínio riscado e por se ter inspirado no Junkers F13, o primeiro avião comercial do mundo totalmente feito em metal, lançado em 1919 por Hugo Junkers. Por isso, um festival aéreo fazia todo o sentido.

A dias da partida, chega um enorme caixote à redacção. Lá dentro, um trolley – Rimowa, claro -, em alumínio, com uma imagem do Junkers F13. Uma carta a explicar que se trata de uma edição limitada feita de propósito para este evento e que me deverá acompanhar na viagem. Corro a enfiar lá dentro os meus pertences. Passaporte. Visto. Check in. E 15 horas e dois voos depois aterro em Chicago, eu e a minha nova Rimowa, prontas para a acção.

Chicago é linda, pelo menos no Verão (consta que no Inverno é gelada e ventosa). Respira-se arquitectura, o azul do lake Michigan perece estar em todo o lado e – como dizia uma brasileira que encontrei no elevador do hotel – a cidade tem um vibe muito mais cool que Nova Iorque. Corre-se menos, vive-se mais. Assim parece no primeiro dia, visto do 12º andar do hotel, a dois passos da Michigan Avenue.

Mas os passeios pelas redondezas, pelas lojas da Magnificent Mile, pelos arranha-céus mais emblemáticos, pelas colecções do Art Institute, pelas obras de arte a céu aberto no Millennium Park, vão ter de esperar. O segundo dia promete ser longo, com saída marcada para as 8h15 da manhã em direcção a Oshkosh, no Wisconsin, a uma hora de distância de avião para norte de Chicago. Aterramos – somos mais de 100 jornalistas vindos de todo o mundo – naquele que, durante o festival AirVenture, é o aeroporto mais movimentado do mundo (toma, Heathrow! Vai buscar, Dubai!), com mais de 10 mil aviões a aterrar e a levantar em permanência durante uma semana.

Há aviões por todo o lado. Grandes, pequenos, vintage, de guerra, protótipos, peças de museu… Cada recanto de relva junto às pistas de aterragem serve de estacionamento a várias aeronaves. Na maioria dos casos, os proprietários acampam junto a eles e por isso há tendas de campismo montadas por todo o lado. O recinto está cheio daquele americano típico, barrigudo, acompanhado pelo six-pack de Budweiser, certamente armado (há avisos de proibição de armas à porta de cada expositor).

O festival inaugura com três para-quedistas a descer, de bandeira em riste e o hino americano, cantado ao vivo, em pano de fundo. À nossa volta, homens, mulheres e crianças levantam-se, em pose solene, de mão no peito. A partir deste momento, passa a haver sempre ruído de fundo: o de motores de aviões – até um Airbus 350 sobrevoou o recinto – a fazer acrobacias acima das nossas cabeças e o respectivo relato, a zunir nos altifalantes.

No stand da Rimowa, todo ele feito em alumínio, somos recebidos pelo Presidente e CEO da companhia, Dieter Morszeck, neto do fundador da marca, que nos revela que ali estamos para assistir a um momento histórico. Não ao lançamento de uma nova linha de bagagem como eu pensava, mas sim o (re)lançamento do avião Junkers F13, integralmente construído pela Rimowa. “Sempre me senti fascinado por este avião e acho que existe claramente mercado para ele”, disse Morszeck, que também é piloto há mais de 30 anos.

Para desenvolver o novo Junkers F13, a Rimowa estabeleceu-se na Suíça, em Dübendorf. Todo feito em alumínio, com as mesmas riscas da versão original do avião, com apenas um motor, asas rebaixadas, cockpit aberto e cabine de passageiros fechada, o avião vai custar 2.2 milhões de dólares e a marca já está a aceitar encomendas, prevendo fazer a primeira entrega no primeiro semestre de 2016. Claro que há mais informações, relativas à potência do motor, à velocidade máxima e de cruzeiro, ao peso e à altitude a que o Junkers F13 vai voar, e para ficar a saber tudo isso, nada como consultar o site.

Transmitida a novidade, fomos convidados pelo orgulhoso CEO a juntar-nos a ele para uma festa de apresentação do primeiro protótipo do F13. Lá estava ele, coberto por um lençol preto, num hangar todo decorado ao estilo The Great Gatsby. Havia uma banda jazz a tocar ao vivo e, durante o jantar, tivemos direito a desfile de moda, à presença dos modelos da campanha da Rimowa – a brasileira Alessandra Ambrosio e o alemão Johannes Huebl (marido da it-girl Olivia Palermo) – e a um mini-concerto de Norah Jones. E, claro, a conhecer, em detalhe, o lindíssimo Junkers F13, que promete tornar-se no brinquedo preferido de muitos aficionados da aviação.

Uuuuuuf! Foi uma overdose de informação para um só dia, que só acabou perto das duas da manhã, com o regresso a Chicago. Mas valeu a pena cada minuto. I love my job.

Foi o dia da inauguração do EAA AirVenture Oshkosh 2015, no aeroporto mais movimentado do mundo (durante o festival).
Foi o dia da inauguração do EAA AirVenture Oshkosh 2015, no aeroporto mais movimentado do mundo (durante o festival).
Vista geral do jantar de apresentação do Junkers F13, em Oshkosh.
Vista geral do jantar de apresentação do Junkers F13, em Oshkosh.
Vai custar 2.2 milhões de dólares e estará disponível no primeiro semestre de 2016.
Vai custar 2.2 milhões de dólares e estará disponível no primeiro semestre de 2016.
Detalhes do interior do Junkers F13.
Detalhes do interior do Junkers F13.
Alessandra Ambrosio e Johannes Huebl são os protagonistas da campanha de publicidade da Rimowa e também voaram até Oshkosh para assistir ao evento.
Alessandra Ambrosio e Johannes Huebl são os protagonistas da campanha de publicidade da Rimowa e também voaram até Oshkosh para assistir ao evento.
Dieter Morszeck, presidente e CEO da Rimowa, da terceira geração da família fundadora da marca, anunciou a novidade.
Dieter Morszeck, presidente e CEO da Rimowa, da terceira geração da família fundadora da marca, anunciou a novidade.
Norah Jones encerrou a festa, com um showcase dos seus grandes sucessos misturados com músicas do seu álbum mais recente.
Norah Jones encerrou a festa, com um showcase dos seus grandes sucessos misturados com músicas do seu álbum mais recente.

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