Os sapatos mágicos da Europa

Cá está mais uma das minhas crónicas no Diário Económico, onde misturo os temas quentes da actualidade com os ingredientes mais mundanos da minha área: o luxo e o lifestyle. Desta vez inspirei-me na notícia que diz que, dez anos depois de terem sido roubados de um museu, um milionário americano está a oferecer uma recompensa de um milhão de dólares a quem ajudar a descobrir o paradeiro dos sapatos mágicos de rubi usados por Judy Garland na rodagem de “O Feiticeiro de Oz”.

Uma menina perdida com medo de bruxas. Um espantalho que precisa de um cérebro. Um homem de lata sem coração. E um leão sem coragem. São os personagens principais do filme “O Feiticeiro de Oz”, mas podia bem ser uma analogia para a Europa que hoje temos, onde não faltam nações perdidas de medo, líderes sem coração, caça às bruxas, cérebros maquiavélicos e falta de coragem para mudar o rumo.

Dorothy, a menina, personifica a União Europeia, confusa, proibida de descalçar os seus sapatos mágicos de rubi (os originais, usados pela actriz Judy Garland, que, a propósito, foram roubados de um museu há dez anos e agora um milionário oferece uma recompensa a quem ajudar a recuperá-los), que é suposto mostrarem-lhe o caminho para casa. Os sapatos, encarnados, brilhantes, decadentes, insistem em seguir um caminho perigoso. O espantalho e o homem de lata, mentores da verdade única, estão tão perdidos como Dorothy, embora disfarcem com palavras de ordem. E aquilo que foi um sonho de paz e harmonia transforma-se, aos poucos, num pesadelo financeiro-belicista onde até fantasmas soviéticos foram acordados. A Europa precisa de tudo isto: de mais massa cinzenta, mais coração e mais coragem para que os seus sapatos encontrem o caminho certo. Falta vontade política. Sem ela, ninguém vai chegar a casa.

Crónica publicada originalmente aqui.

Um espantalho sem cérebro, um homem de lata sem coração, uma menina assustada e um leão sem coragem. Metáfora cinematográfica para a Europa que temos?
Um espantalho sem cérebro, um homem de lata sem coração, uma menina assustada e um leão sem coragem. Metáfora cinematográfica para a Europa que temos?

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