14 tendências de wellbeing que vamos querer conhecer

O bem-estar é a trend da década. Uma indústria que vale triliões de dólares que engloba experiências de spa, nutrição, fitness e medicinas alternativas. Tudo para nos sentirmos bem, prevenirmos problemas futuros, anteciparmo-nos à idade e à lei da gravidade, essas tiranas.

Chegámos à era do wellness. A saúde é um asset gerido com mão de ferro pelos frequentadores de spas e ginásios de hoje. Já não basta mimarmo-nos, queremos aprender a tirar o máximo partido do nosso corpo, do bem-estar ali gerado, anteciparmo-nos à medicina. Saúde gera saúde e a prevenção é a primeira medida a tomar. É também a primeira tendência que identificamos nesta nova era. Fazemos ioga para a corrigir a postura. Naturopatia para controlar as alergias. Acupunctura ou cinesiologia para prevenir e tratar dores diversas. Transformámos o nosso corpo e os nossos hábitos diários em bases de dados com estatísticas medidas à casa decimal. Não largamos a pulseira que mede o ritmo cardíaco, classifica os ciclos do sono, conta as calorias ingeridas, estabelece metas. Uma loucura por dados que nos quantificam, tornam mais pública a nossa esfera mais privada, potenciado pelo efeito das tecnologias e das redes sociais.

Mas não há fome que não dê em fartura e, não morrendo da doença, corremos o risco de morrer da cura. Com tanta conectividade, tanta agitação afogados que estamos nesta invasão tecnológica que não existia até há cinco anos, as desintoxicações tecnológicas estão na ordem do dia e a segunda tendência mais referida nos estudos da especialidade é o digital detox. Libertar a mente do excesso de estímulos a que está sujeita é a palavra de ordem em spas onde o smartphone está proibido de entrar.

Os spas estão cada vez mais atentos às necessidades dos seus clientes. Sabem que não há tempo a perder e por isso é ver a chegada dos tratamentos express, versões curtas dos existentes no cardápio, que permitem que se dê um salto ao spa à hora do almoço sem que o regresso ao escritório – quatro horas depois –, seja motivo para despedimento com justa causa… Os horários também se adaptaram a estas necessidades. A generalidade dos spas abre às 7 da manhã e não fecha antes das 22h00. Em alguns hotéis mais movimentados, chegam a estar abertos 24h00. Ainda em matéria de hotéis – porque a maioria dos grandes spas está inserida na hotelaria de luxo –, a grande aposta está na especialização. No ano passado deu-se uma proliferação dos chamados healthy hotels, nichos centrados na saúde dos hóspedes, com ou sem uma componente médica, fazendo alarde dos programas de detox e perda de peso, bootcamps de ginástica tipo tropa. Mas se antes estes programas eram encarados como sacrifícios de privação em prol de uma vida mais saudável, eles agora são vistos como celebrações.

Homens e spas

Os homens, por sua vez, estão também cada vez mais dedicados ao seu bem-estar. Os spas tiram proveito desta tendência e não são poucos os novos tratamentos e massagens com denominações viris como “massagem desportiva” ou “massagem executiva” a chegarem aos menus. O que mais procuram eles? Aliviar o stress. E para combater este mal da era moderna, surgem modalidades como o ioga com gravidade suspensa, os tanques de flutuação com cromaterapia, as passadeiras anti-gravidade.

As mulheres, grandes frequentadoras dos spas desde sempre, também têm direito a criar novas tendências. A mais recente é a do social fitness, que consiste em actividades de grupo focadas no bem-estar. Sair à noite e beber até cair com as amigas? Programa ultrapassado. O que está a dar é, mantendo as amigas na equação mas esquecendo o álcool e a noitada, fazer a festa no spa. O dia começa cedo, com uma aula de ioga, seguida de um mini-facial ou outro tratamento de spa à escolha. Depois do banho, um almoço leve. Programa perfeito para as novas health oriented women. As selfies abundantes e a partilha nas redes sociais, com hashtags sugestivos – tipo #trainhard; #gymrat ou #healthylifestyle – também estão contemplados.

Spa shopping

Nada melhor, depois da ida ao spa ou ao ginásio (porque não ambos?), que uma sessão de compras. Que o digam as amigas do grupo de social fitness anterior. Assim nasceu o spa shopping, outra grande tendência actual. Se antigamente, nos spas, podia comprar-se o óleo essencial da massagem de que gostámos, o roupão felpudo que só há ali, ou até as velas aromáticas para recriar em casa o efeito relaxante do spa, agora não. Os estudiosos perceberam que um tratamento de spa tem, sobre os utilizadores, um efeito de evasão e relaxe tão poderoso como o de uma viagem real. Toda a gente sabe que os viajantes estão mais disponíveis para gastarem dinheiro em compras. Nos spas não é excepção. As lojas dos mesmos estão, aos poucos, a tornar-se em boutiques luxuosas de acessórios, espaços de compras que vão muito além dos básicos de spa.

Quando falamos de spas e de luxo, falamos, claro, de uma tendência cada vez maior para a personalização. Não é raro, nestes lugares de relaxamento total, poder escolher-se a duração da massagem, as zonas onde incide, o cheiro dos óleos. Os tratamentos adaptam-se ao utilizador e não o contrário. Da mesma forma que os consumidores estão cada vez mais focados nos efeitos a longo prazo das suas incursões ao spa. Já não vão à massagem num impulso e ponto final. Querem continuidade nos tratamentos. Querem inserir o spa na sua rotina diária. Há cartões de fidelização e tudo a pensar nisso.

Cannabis spa

Do mesmo modo, assiste-se a um cada vez mais frequente regresso às origens. Em 2014 verificou-se o retorno a rituais antigos, aos banhos, do tempo dos romanos – talvez a mais antiga experiência de spa do mundo. Foi o ano do advento das fontes termais. E dos tratamentos mais fora de caixa. De acordo com o estudo da “Spa Finder 365”, andar pelos bosques, fumar marijuana, fazer voto de silêncio e rebolar na areia podem ser as tendências mais quentes em matéria de spas este ano. Os spas de marijuana são a última grande descoberta nos EUA (com a ajuda da recente descriminalização) em matéria de gestão do stress, combate às insónias e depressões e alívio de sintomas dolorosos. Trata-se de medicina preventiva e a cannabusiness não podia estar mais em alta, tendo saído da clandestinidade dos dormitórios universitários para as reuniões de conselho de administração. O termo, em inglês, é bem mais divertido: from dorm room to boardroom.

Depois de passarmos a pente fino todas estas tendências, não poderíamos ignorar a enorme democratização a que estão sujeitos os tratamentos de spa, com o advento dos vouchers de desconto de grupos de compras em massa como o Groupon, a oferecerem tratamentos outrora inatingíveis para uma grande fatia da população a preços 40% abaixo do preço de tabela. Algo que é sempre positivo: quantas mais pessoas apostarem no seu bem-estar, mais felizes serão as populações. E, quando tudo falhar, ainda temos o conceito de spa em casa ou DIY (Do It Yourself ou Faça Você Mesmo). A internet desdobra-se em receitas baratas e eficazes que permitem replicar alguns dos tratamentos dos spas em casa. No final, em casa ou no mais sofisticado dos spas, o objectivo é apenas um: viver mais e melhor.

Artigo publicado originalmente na revista Wink, do Grupo Pestana, que podem ler aqui.

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