Armani ainda é o rei

Não parece, mas ele já tem 81 anos. Continua atlético, bem parecido, bronzeado. Mais que isso, ainda nos faz suspirar nas passerelles de cada vez que apresenta uma colecção. Cortes irrepreensíveis, silhuetas elegantes, tudo a respirar um bon chic intemporal. Não, apesar da idade, Giorgio Armani não perdeu o mojo que fez dele o rei da moda que vem de Itália, senhor de um verdadeiro império. Mas são já 40 anos de carreira – andava eu ao colo da minha mãe ainda de cueiros e já estava ele a criar a sua própria marca de moda, com a ajuda do companheiro Sergio Galeotti e da irmã, Rosanna. Razão mais que suficiente para celebrar com um livro de memórias o que merece ser recordado.

Giorgio com dois anos, na capa do livro que escreveu e baptizou com o seu nome.
Giorgio com dois anos, na capa do livro que escreveu e baptizou com o seu nome.

Foi o que aconteceu ontem. A encerrar a semana da moda em Milão, Giorgio apresentou o livro – intitulado simplesmente “Giorgio Armani”, editado pela Rizzoli – que conta a sua história, seguido de um desfile que os críticos consideraram de antologia: com flores na passerelle e muito preto e encarnado. Puro glamour.

A trend do momento em matéria editorial é por crianças na capa e chamar-lhe #throwback. A L’Officiel España acaba de o fazer (com uma Kate Moss de dez anos) e Armani escolhei uma foto sua aos dois anos de idade. As duas fotos foram tiradas com uma diferença de cerca de 50 anos, mas isso agora não interessa nada.

Richard Gere foi, durante décadas, considerado o maior sex symbol de Hollywood. O filme "American Gigolo", onde foi vestido integralmente por Armani, catapultou-o para a fama.
Richard Gere foi, durante décadas, considerado o maior sex symbol de Hollywood. O filme “American Gigolo”, onde foi vestido integralmente por Armani, catapultou-o para a fama.

O livro percorre, da capa à contracapa, a vida de Mr. Armani (o nome por que todos os tratam), desde os tempos da guerra e da ocupação Nazi em Piacenza ainda com Mussolini no poder, passando pelo curso de medicina, pelo primeiro emprego no department store La Rinascente, pelos primeiros passos na moda na década de 70, pela conquista das estrelas de Hollywood (Richard Gere no American Gigolo, lembram-se? Vestido por Armani…), a revolução dos cortes que ele operou nos anos 80, a invenção do greige (uma cor entre o cinzento e o bege que só permite identificar uma peça Armani a quilómetros de distância), as incursões no mundo do desporto – David Beckham, Cristiano Ronaldo -, dos hotéis, do design de móveis, da cosmética (faz agora 15 anos).

Na infância, com a mãe.
Na infância, com a mãe, Maria…
...e os irmãos.
…e os irmãos, Rosanna e Sergio.

Aos 81 anos, Armani permanece orgulhosamente à frente da marca que conseguiu, ao longo destes 40 anos, manter independente do jugo dos grandes grupos. Ele representa como nenhum outro criador o sucesso italiano, bem ilustrado neste livro escrito por ele e com fotografias poderosas assinadas por grandes génios contemporâneos como Steven Meisel, Herb Ritts, Mario Testino ou Annie Leibovitz, entre muitos outros. O livro chegou hoje às livrarias e promete tornar-se num must-have, peça de culto das coffee-tables.  Vou já encomendar o meu.

Armani e o star system – numa imagem captada pelo fotógrafo Tom Munro para a Vanity Fair, Armani reúne alguns amigos próximos. Sentadas, Lauren Hutton, Glenn Close, Sophia Loren, Isabelle Huppert e Hilary Swank. De pé, Leonardo DiCaprio, Cate Blanchett, Tina Turner e Zhang Ziyi.

 

 

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