Envelope fechado

Ela já foi princesa. Mas o seu principal legado foi fazer do wrap-dress um uniforme democrático para todas as mulheres. Em semana de eleições, ocorre-me que, mais uma vez, a moda e a política têm tantos traços comuns. Aqui vai mais uma crónica publicada no Diário Económico.

As semanas da moda das principais capitais estão a decorrer e o meu feed é invadido de imagens de desfiles, de mulheres de sonho e de outfits que vão ser moda daqui a meio ano. Uma imagem chama-me a atenção. É uma interpretação do clássico vestido-envelope, uma criação dos anos 60 tornada célebre por Diane Von Furstenberg e que regressa com regularidade às passerelles.

Não consigo evitar a comparação que me vem à cabeça de que no Domingo iremos votar numa carta em branco, num envelope fechado. Tal como os programas partidários, o wrap-dress adapta-se às circunstâncias. Tal como o novo Governo irá ajustar-se à conjuntura, mais acima ou mais abaixo, esquecendo-se do sentido do voto que o elegeu. Enquanto eleitores, vamos escolher entre duas tendências que não saberemos se serão seguidas. À esquerda ou à direita, com mais ou menos austeridade, sabemos apenas que o guião já está escrito, o caminho está traçado. Venha quem vier, terá de desfilar por ele.

Texto publicado originalmente aqui

O wrap-dress tornou-se num clássico que atravessa gerações. Ao contrário do que se pensa, não foi Diane Von Furstenberg que o inventou. Terá sido Elsa Schiaparelli a criá-lo nos anos 30. Mas DVF tornou-o numa celebridade.
O wrap-dress tornou-se num clássico que atravessa gerações. Ao contrário do que se pensa, não foi Diane Von Furstenberg que o inventou. Terá sido Elsa Schiaparelli a criá-lo nos anos 30. Mas DVF tornou-o numa celebridade.

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