Já me tinha esquecido de como era bom

Quando estudamos por obrigação não damos o devido valor. Fazêmo-lo porque tem de ser, é o sítio onde temos de estar, é o que se espera de nós. Da primária à faculdade. Queixamo-nos, baldamo-nos, ansiamos por que acabe. Depois começamos a trabalhar e naquela excitação toda de nos ajustarmos a essa nova condição, de absorvermos toda a novidade que aquilo representa, só mais tarde nos apercebemos do que ficámos a perder. Aquisição de conhecimento sem responsabilidades acrescidas. Tão bom e não volta para trás.

A parte boa é que podemos sempre voltar à parte de aquisição de conhecimento. Bem certo de que das responsabilidades não nos livramos, mas é sempre possível – com vontade e alguma organização – voltar aos bancos da escola. Apostar na formação, porque os anos passam, a Terra continua a girar e nem sempre conseguimos acompanhar as mudanças. É o que estou a fazer esta semana no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), a frequentar o Luxury Brand Management Executive Course. Custou no início: organizar a vida em casa, juntar folgas, deixar o trabalho acumular-se para passar 10 horas por dia a aprender coisas novas. Mas estou a adorar cada segundo.

O Carlos Ferreirinha, o principal orador do curso, é uma força da natureza. Tinha curiosidade de o conhecer pessoalmente, até porque já tínhamos trocado uns e-mails em 2008, no seguimento de uma pequena entrevista que dei à revista UP, da TAP. Na altura, ele – que é um empresário e consultor na área do luxo no Brasil e em muitos países da América Latina – convidou-me para assistir a uma conferência de luxo que estava a organizar no Brasil, o que achei uma honra e aceitei de caras. Dificuldades de agenda impediram-me de comparecer e acabámos por perder o contacto. No primeiro dia do curso fui apresentar-me e nunca pensei que se lembrasse, mas ele disse que sim! Tem sido um prazer ouvi-lo contar as suas histórias no universo do luxo, não só no Brasil (onde chegou a ser presidente da Louis Vuitton) como no resto do mundo. É um orador exímio, sabe manter a audiência interessada e pontua a informação teórica com casos práticos, o que torna tudo muito mais fácil de entender. E faz-nos sentir que somos capazes de mudar o mundo.

A Helena Amaral Neto, professora convidada do ISEG e coordenadora do curso, é incansável a esclarecer-nos as dúvidas, a manter-nos informados sobre o próximo passo, a guiar-nos por esta descoberta. E o grupo de alunos é heterogéneo e muito divertido. Há quem tenha uma empresa familiar para posicionar. Há hoteleiros que querem saber como enfrentar a tendência low-cost. Há quem venha do retalho. Da moda. Do sector automóvel. Dos media. Há quem tenha ideias geniais. Há quem queira perceber para onde se encaminha o mercado nesta era crescentemente digital (onde me insiro). Há recém-licenciados em busca de soluções. Há quem simplesmente se interesse pelo tema luxo.

A todos nós – seja qual for a razão que ali nos traz -, Carlos Ferreirinha tem feito o trabalho de nos mudar o chip. Ao fim de umas horas de aula, descobrimos que a visão que temos do luxo é na perspectiva do indivíduo, do consumidor. E aqui o que se pretende é que a perspectiva seja da gestão, do negócio, da estratégia. E essa descoberta está a ser deliciosa, pois as regras da gestão do luxo podem ser aplicadas a qualquer área de negócio. No final, nada será como antes.

Iseg1

Pelo meio, até a um fim-de-semana de luxo tivemos direito, com driving experience proporcionada pela Maserati – um dos meus companheiros de curso – e clínica de golfe e almoço no Verbasco, o club house do The Oitavos – também organizada por dois participantes -, em Cascais.

Hoje acaba-se tudo. Há apresentações de projectos. Há entrega de diplomas. Há jantar de encerramento. Fica o conhecimento. As amizades e os contactos. E a vontade de continuar a aprender. Vou ter saudades da dinâmica das aulas, do grupo, das gargalhadas, até dos coffee breaks (deliciosos, com iguarias saudáveis do restaurante Origem). Com uma certeza fiquei: não vou ficar por aqui.

E aqui estamos nós, já de diploma na mão.
E aqui estamos nós, já de diploma na mão.

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *