Celebrações alheias

Sim sim, já sabemos: o Halloween é uma tradição importada e a sua celebração aqui por terras lusas dá direito a açoitamento público e rende horas de críticas-à-velho-do-Restelo pelas redes sociais fora. Mas muitos dos que alinham nesse coro de protesto anti-importação de celebrações alheias certamente não têm filhos, senão já se tinham calado. Não há nada de que as crianças mais gostem do que de se mascararem e brincarem ao faz-de-conta. Se puderem vencer alguns medos pelo caminho, melhor ainda: junta-se o pedagógico ao agradável. Os três dias do Carnaval, nos dias gélidos de Fevereiro, são manifestamente insuficientes para que as crianças possam sublimar todas as suas fantasias. Por isso, há dois anos que foi decretado cá em casa que celebrávamos o dia das bruxas com pompa e circunstância, com direito a abóboras, teias de aranha, bruxedos, poções mágicas e tudo o que de mais assustador conseguirmos encontrar.

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Tinha uma dentadura – 3 números acima do do maxilar dele – mas não era preciso. Os dentes em falta que tem na frente faziam o efeito desejado.

Este ano lá fui a correr ao sítio do costume para comprar uma máscara de última hora: a multifacetada Imaginarium. Lá arranjei uma fatiota de Conde Drácula que, juntamente com uma maquilhagem dramática com a assinatura da mãe (moi-même), fizeram as delícias do nosso pequeno. Dois amigos – uma bruxa e um esqueleto – juntaram-se à festa, que teve direito a concurso de desenhos em cadáver esquisito e prémios para o vencedor. O pai fez de júri e o cão encarregou-se de acabar de cansar os monstrinhos. Só não se fez o trick-or-treat, porque chovia muito. Foi um fim-de-semana em grande com três crianças felizes. O resto, as tradições americanas a contagiarem o resto do mundo e a indignação e tal, que se lixe!

A abóbora que vomitava as tripas foi o golpe de mestre. Será difícil superar tal porcaria.
A abóbora que vomitava as tripas foi o golpe de mestre. Será difícil superar tal porcaria, mas aposto que eles nunca mais se vão esquecer.

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