“Somos as nossas escolhas”

Hoje estou existencialista. Haveria tanto para dizer sobre isto, com a bolsa a cair a pique junto com o actual Governo; os juros da nossa dívida a crescer ao mesmo ritmo da incerteza; a vida a pregar-nos mais partidas do que aquelas para que estamos preparados. Mas o espaço é curto – os 800 caracteres do costume. Há que ser sucinto. Como disse Jean-Paul Sartre, “somos as nossas escolhas”. Os dados estão lançados: seja o que Deus quiser. Esta é a minha crónica de hoje no Diário Económico.

A ideia parece cool, à primeira vista. A esquerda tomar o poder e fazer a tão desejada revolução: libertar-nos do espartilho austero da direita dos últimos anos, cortar nos impostos, devolver pensões, colocar mais dinheiro nos bolsos do povo. Se quiséssemos dourar ainda mais a pílula, imaginávamo-nos em Paris, no final do século XIX, em plena Rive Gauche, a margem esquerda do Sena, refúgio de artistas, intelectuais e boémios esquerdistas. Bons tempos… À mesa do Café Flore, com shots de absinto à frente, na companhia de Sartre – ou Miller, Stein, Fitzgerald, Rimbaud ou Matisse – traçaríamos as linhas de um futuro mais livre, mais justo, mais social, mais rico: mais utópico. E aqui é que a coisa complica. É que a utopia é inimiga da estabilidade, requisito sagrado para que os mercados mantenham a linha de crédito (de que continuamos a precisar) activa. Ora, todos assistimos à dificuldade que, apesar de partilharem responsabilidades governativas, PSD e CDS exibiram em manter uma estabilidade mínima durante quatro anos. Alguém acredita mesmo que será possível consegui-la com PS, PCP, Bloco e Verdes a puxar cada um para seu lado?

Crónica publicada originalmente aqui.

Choix

Artigos Relacionados

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *