Tudo em dourados e em bom

A culpa é da Renova. Foi esta empresa portuguesa que pegou no “papel higiénico”, deu-lhe uma roupagem nova e fez dele tema de conversa aceitável até à mesa. Foi em 2002 que Paulo Pereira da Silva, o CEO desta marca de produtos de papel, pôs o mundo – de Nova Iorque a Tóquio – a falar desta commodity que toda a gente usava mas que nunca pensou chamar-lhe “sexy”. Bastou mudar-lhe a cor. De branco passou a preto e o papel higiénico Renova tornou-se no “the sexiest toilet paper on earth“.

Mas agora tornou-se banal. Está por todo o lado. Do preto, o papel declinou-se em todo um pantone de cores que prometem fazer pendant com a mais garrida das casas de banho. Até Kris Jenner, a matriarca das Kardashians, usa. E isso só pode querer dizer, quanto a mim, que chegou a altura de a Renova elevar a fasquia, por os olhos nestes rapazes australianos que andam a fazer papel higiénico de ouro. Bom, “andam a fazer” é manifestamente exagerado. Fizeram um rolo. É para mostruário. Mas aceitam encomendas para este toque de Midas forrado a ouro de 24 quilates que tem o preço simpático de 1,376,900 dólares (e é entregue com uma garrafa de champanhe, o que me deixa bem mais descansada). Uma fortuna que serve exclusivamente para ir pelo cano abaixo, mas é coisa para fazer grande sucesso no Dubai.

Gold Pills

Dose extra de bling-bling
Já que a conversa está ao nível da latrina, vou aproveitar para reportar mais uma grande invenção. Desta feita não a pensar na higiene e no conforto dos utilizadores, mas puramente na estética… das fezes [está inaugurada a palavra “fezes” neste blog. Não gostei. Vou usar antes “cocó”]. Sim, na estética do cocó. A pensar nas mentes mais perfeccionistas, que nem no momento de evacuar [outra bonita expressão] dispensam o brilhantismo, a Citizen vende estas Gold Pills, criadas pelo designer novaiorquino Tobias Wong. Basicamente são uns comprimidos de dois centímetros, feitos com folha de ouro de 24 quilates, destinados a, após uma linda viagem pelos intestinos do utilizador, enfeitar de cintilantes partículas de ouro o cocó de quem os tomou. Bastam três pílulazinhas (a 425 dólares a tablete) para a nossa retrete se tornar numa espécie de tributo glitter a “Velvet Goldmine” (um dos meus filmes preferidos de sempre). Em dourado e em bom. Como se quer.

 

 

Artigos Relacionados

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *