Uma segunda pele

Gosto do mar. Tenho-lhe muito respeito. Mas não sei se é a cor ou se é a força das ondas, aquela natureza indomável: o mar, para mim, tem um poder curativo. Relaxa-me, sobretudo. Houve um período da minha vida, há já uns anos, que foi nele que me refugiei para “lavar” os problemas da minha vida. Nessa altura descobri o surf e não passava um fim-de-semana, de Verão ou Inverno, que não corresse para a praia, para cima da prancha, para meter o stress naquela máquina de lavar implacável. O mar – e o surf – fez maravilhas pela minha auto-estima, pela minha saúde mental (e até pelo físico: em poucos meses, o meu corpo secou todas as gordurinhas extra que tinha).

Surf in Peniche

Foi também nessa altura que conheci a história do Creme de La Mer. Como tantas marcas de Beleza que me aparecem para testar os produtos, chegou-me um convite para ir à apresentação de um novo lançamento da marca. Já nem me lembro bem qual era.. foi a história que me marcou. A desventura do Dr. Max Huber, um cientista aeroespacial da NASA que sofreu, numa explosão no laboratório, queimaduras químicas graves no rosto e no pescoço e que fez, desde então, da pesquisa de formas de aliviar o desconforto, um modo de vida. Foi ele que descobriu, ao fim de mais de 6000 experiências, o poder calmante e regenerante das algas fermentadas com a ajuda de luz e som, um caldo a que chamou de Miracle Broth e que, ainda hoje – mais de 50 anos depois -, continua a ser usado em todos os produtos da marca. O Creme de La Mer passou a fazer parte da rotina diária do Dr. Huber e consta que os resultados na queimadura química foram surpreendentes. Tanto que o cientista passou a comercializar a fórmula até à sua morte, em 1995, data em que a filha vendeu a marca à Estée Lauder.

A história era apaixonante, mas não fiquei imediatamente rendida ao creme, o original, que para mim tem uma textura demasiado untuosa. Passaram dois anos – e uma infinidade de produtos e marcas de hidratantes pela minha pele mista sem que eu conseguisse tornar-me fiel a um. Ou falhava a textura, ou o cheiro, ou a luminosidade, ou tudo junto – até eu voltar a encontrar-me frente a frente com um boião de La Mer. Mas desta vez foi amor à primeira vista. Ao que parece, eu não era a única queixosa em relação à textura do La Mer original e então a marca avançou com a criação de um creme de La Mer com a textura em gel. Perfeito, com um toque aveludado, que deixa a pele fresca e nutrida, com um aspecto saudável, sem nunca ficar oleosa ou ressequida.

O La Mer The Moisturizing Gel Creme foi o meu primeiro amor. O primeiro hidratante sobre o qual soube, à primeira aplicação, que tinha acertado e que a nossa relação ia durar. Dura até hoje, quase tanto como o tempo que tenho de casamento. A minha demanda pelo hidratante certo terminou e a família foi crescendo. Ao La Mer Moisturizing Gel Creme muitos outros da mesma marca se juntaram nas prateleiras da minha casa de banho. O exfoliante de corpo. O creme de mãos. Os séruns. A linha de limpeza. As  máscaras. O concentrado. Os cremes de olhos. A linha solar. O óleo. As massagens no spa La Mer em Nova Iorque. Uma vez parte da família, é difícil sair dela. É como uma segunda pele. Vem do mar. Só podia.

La-Mer

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