SOS Natal

Uma hora na fila para chegar ao supermercado – no carro, aviei uma caixa de Mon Cheri. Um carrinho cheio, uma conta de 150 euros e dois donuts depois, volto a enfrentar o trânsito a caminho de casa, a pensar nas malas que tenho para fazer, nas duas sobremesas que têm de ficar prontas a tempo, na Bimby que vai ter de ser lavada três vezes, nos dois presentes que ainda me faltam comprar e que ainda vão ter de ser resolvidos até amanhã. Fico esfaimada e estico o braço até aos sacos das compras na mala do carro a ver se me aparecem as barras de cereais que comprei. Uma não chega, vão logo três. Já fico jantada (digo para mim, sabendo que há fortes probabilidades de estar a contar a mim mesma uma mentira piedosa).

Descarregar compras, gritar ao cão que espalhou o conteúdo de um boneco de peluche no chão da sala, atirar as tralhas da criança para um saco a tempo de os avós o virem buscar sempre de olho no forno para não passar o tempo da cozedura do bolo. Tudo isto abre o apetite: segue-se um pacote de batatas fritas temperadas com flor de sal, as coisas que eles inventam… Claro que não fiquei jantada, ainda tenho espaço para lamber o salazar a escorrer de doce de ovos e preparar duas sanduíches de rosbife com abacate e molho de mostarda e mel que deito abaixo enquanto me sento ao computador a pagar contas.

Deve ser da ansiedade – ou de saber que tenho o frigorífico cheio de coisas boas – mas meia hora depois, já estou a deleitar-me com um resto de sorvete de pêra com topping de chocolate que encontrei enquanto arrumava as vieiras no congelador. Feitas as contas, devo ter devorado umas 4000 calorias, entre a hora de saída do escritório e o momento em que escrevo este post. E isto foi só hoje. Imagine-se o que foi durante as últimas semanas e o que ainda está para vir, até porque ainda não entraram em cena os pesos pesados: rabanadas, sonhos, coscorões e seus afiliados.

É óbvio que a preocupação seguinte é o quão parecida estou a ficar com um peru, como vou sobreviver a este período de festas e – se tudo correr bem – como vai ser possível caber no vestido do reveillon? Felizmente a Algo, marca de suplementos alimentares da Biocol, deve andar a espiar-me e já percebeu que a desgraça está instalada. Ou então, se calhar, somos todos assim. E por isso, o laboratório (que já tinha surpreendido no início do Outono, ao relançar-se com uma imagem renovada e uma linha muito criativa de suplementos alimentares, a Algo) resolveu aplicar a mesma fórmula – criatividade aliada ao sentido de humor – a uma solução terapêutica à base de produtos naturais que reduz a absorção de gorduras e hidratos de carbono exclusivamente criada a pensar nas festas e nos seus inevitáveis excessos. A campanha vai directa ao assunto: “Algo para não ficar um peru”, “Algo para sobreviver às festas”, “Algo para caber no vestido do reveillon”, “Algo para destruir rabanadas” e “Algo para as bombas natalícias”. Que é como quem diz: há soluções para (quase) todos os males.

Algo para destruir rabanadas

Algo para não ficar um peru

Algo para caber no vestido do reveillon

Algo para as bombas natalícias

Mas que laboratório é este?
Habituados que estamos a comprar medicamentos com ar de medicamento, com bulas quilométricas recheadas de palavras que não entendemos, quando nos deparamos com os suplementos da linha Algo da Biocol, com embalagens simples e coloridas, uma linguagem directa e divertida, nada técnica, facilmente concluímos que uma ideia assim só pode vir de uma mente criativa.

Essa mente é a de Christian Balivet, filho de mãe portuguesa e pai francês, o actual director criativo da Biocol Labs, mas que trabalhou como publicitário em Londres, na Crispin Porter + Bogusky, uma das mais conceituadas
agências de publicidade do mundo. A Biocol foi fundada pelo seu avô em 1976 e em 2014 passou por um mau bocado que obrigou a uma revolução na empresa. Christian decidiu unir cientistas e criativos e ver o que saia dali. Criou um laboratório de ideias dentro do laboratório convencional. Tem a ajuda de Ricardo Correia, cientista, e trouxe ainda a namorada, Christine Pausewang, que é gestora da marca.

Não sei se estes Algo são eficazes, mas pela criatividade já me conquistaram. Vou comprar um carregamento e depois conto-vos como foi. Agora, se me dão licença, vou à despensa ver se encontro algo para avariar de vez com a minha balança, que já me anda a irritar.

Christian Balivet (ao centro) é o director criativo deste laboratório que bem podia ser uma agência de publicidade; a namorada, Christine Pausewang, é a gestora da marca; Ricardo Correia é o cientista encarregue de transformar as ideias dos criativos em suplementos exequíveis.
Christian Balivet (ao centro) é o director criativo deste laboratório que bem podia ser uma agência de publicidade; a namorada, Christine Pausewang, é a gestora da marca; Ricardo Correia é o cientista encarregue de transformar as ideias dos criativos em suplementos exequíveis.

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