Investimentos ao ombro

Esta foi a minha crónica desta semana. Desta vez falo de carteiras como investimentos. A famosa “Birkin” da Hermès foi apontada por um estudo recente como um investimento mais seguro que ouro ou acções. Já a Carrie Bradshaw, do Sexo e a Cidade, dizia que gostava de investir o dinheiro onde o pudesse ver: pendurado no armário – e eu percebo a ideia. Tenho tentado sensibilizar o meu marido para a ausência de risco e para o potencial de valorização de encher o meu armário de “Birkins” de cores e peles exóticas variadas. Mas ele não se comove com esta linguagem de Wall Street. Que pena, debaixo do colchão não tem a mesma graça…

É uma carteira que faz as vezes de saco de fim-de-semana. Em pele, feita à mão, tem nome de celebridade e é o símbolo de status preferido dos notáveis. Chama-se “Birkin”, tem 32 anos e acaba de ser considerada por um estudo recente o investimento mais seguro para 2016, ultrapassando o ouro e as acções da bolsa norte-americana.
Diz a referida pesquisa (publicada pela Baghunter.com) que a “Birkin”, criada em 1984 pela Hermès, valorizou-se, desde o seu lançamento, em mais de 500%. Espera-se que duplique o seu valor nos próximos 10 anos.
Em números concretos, desde 1980, a cotação do ouro tem vindo a perder cerca de 1,5% ao ano, enquanto as acções do S&P 500 subiram apenas 8,7%. Já a “Birkin” protagonizou uma valorização anual de 14,2%. Carteiras com preço base de 60 mil euros foram vendidas em leilão por valores recorde de 190 e 260 mil euros. O segredo é o facto de as “Birkin” serem comodities escassas, feitas com peles exóticas e raras. As de crocodilo têm uma lista de espera de seis anos. Uma procura desenfreada que explica o disparar dos preços e faz desta carteira um fruto apetecido – até pelos investidores.
Com a loucura despesista do novo Governo – que em pouco menos de dois meses conseguiu aumentar o défice em cerca de 11 mil milhões de euros – é bom saber que ainda há investimentos seguros. Este, com uma dupla função: nada como ter a “Birkin Weekend Bag” à mão para enfiar os tarecos e galgar as fronteiras quando vier o expectável 4º resgate e a troika e a austeridade. Tudo outra vez.

Esta crónica foi publicada originalmente aqui.

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