5, o poder de um número

Os grandes clássicos fazem-se de grandes histórias. “Nº5”, o mais mítico perfume da casa Chanel, é um desses clássicos – nascido de um enredo de sangue, suor e lágrimas onde não faltam guerras, traições, paixões e uma boa dose de sorte. Quase a celebrar um século de sucesso, o perfume mais vendido de todos os tempos surge agora numa nova interpretação, a pensar na geração millennial. Em Maio passado fui a Grasse participar na colheita da Rosa de Maio, ingrediente principal do “Chanel Nº5 L’Eau”. Fica aqui a história que publiquei na “Epicur”.

Nome de código: May 5. Estávamos em Maio, mas a data não era aquela. À saída do aeroporto de Nice aguardavam-nos placas brancas com a tipografia a preto, inconfundível – Chanel em todo o seu ADN. E, no entanto, nem uma referência à marca francesa. Só quem conhece o significado da data de 5 de Maio para a maison poderia saber que era ali o ponto de encontro da comitiva de jornalistas e bloggers de todo o mundo que passariam os dias seguintes numa imersão pelo universo do perfume “Chanel Nº5”. O destino só podia ser um: Grasse, no Sul de França, a capital mundial da perfumaria, onde são cultivados os ingredientes dos perfumes mais míticos de todos os tempos. No caso do “Nº5”, é ali, na propriedade da família Mul – ligada à Chanel desde os anos 80 –, que é cultivada e processada a rosa centifolia, também conhecida como a rosa de Maio (pois só floresce neste mês, uma vez por ano), o ingrediente principal desta fragrância.

A viagem tem um propósito: conhecer em primeira mão o mais recente membro da família “Nº5”. Quando, aos 95 anos de vida, o perfume mais amado e mais vendido de sempre é alvo de uma alteração na sua fórmula – desde que foi criado, em 1921, teve direito a apenas quatro declinações para ir ao encontro das preferências da sua vasta clientela:“Nº5 Parfum”, “Nº5 Eau de Parfum”, “Nº5 Eau de Toilette” e “Nº5 Première”–, é caso para prestar atenção. É como a passagem de um cometa: raro e espectacular. E o “Nº5 L’Eau”, que chegou em Setembro passado às perfumarias merece as atenções de que é alvo. Esta interpretação, assinada pelo nez Olivier Polge, tem pela frente a árdua tarefa de agradar à geração millennial sem desiludir os fiéis seguidores de outras gerações.

Dans les champs de Chanel
De avental, luvas, galochas e chapéu na cabeça, estamos a postos para a colheita. A manhã começa cedo nos campos de Pégomas, porque é preciso apanhar as rosas centifolia abertas, o que acontece entre as 7 e as 9 da manhã. É o próprio Joseph Mul, dono dos vinte hectares de terra onde nos encontramos, que nos conduz, num carro de golfe, ao sítio onde a colheita vai começar nesta manhã. Desde 1987 que esta família – que há quatro gerações se dedica ao cultivo de flores e ervas aromáticas de excepção – está ligada à Chanel, fornecendo em exclusivo a matéria-prima para os perfumes da casa.

Joseph Mul conhece as suas flores como ninguém. Basta-lhe olhar o céu, analisar a humidade e o calor, para perceber se a colheita vai ser boa. Olha em volta, para o roseiral em flor, com carinho e toca nas plantas com uma devoção quase enternecedora. E começa por explicar que há dois tipos de rosas usados em perfumaria: a centifolia, cultivada maioritariamente em Grasse e Marrocos; e a damascena, proveniente da Roménia, da Bulgária e da Turquia. A que temos à frente é a rosa centifolia, a tal que só floresce em Maio. Na mesma manhã em que são colhidas, estas rosas são logo processadas, para evitar que a flor oxide e perca qualidade. Qualquer alteração na qualidade da flor vai reflectir-se na composição do perfume. E a Chanel não se pode (nem quer) dar ao luxo que isso aconteça.

O nosso grupo inexperiente em matéria de colheita de rosas junta-se ao colorido e multicultural grupo de 60 trabalhadores – quase todos provenientes de Marrocos e da Turquia – especialmente contratados para a colheita. Tal como Joseph Mul nos ensinou, vemo-los a segurar as rosas pelo botão, a torcer o caule, ouve-se um “clac” e a rosa vai para o bolso do avental. Estes já conhecem a técnica e, muito rapidamente, os arbustos em redor, que amanheceram cobertos de flores cor-de-rosa, ficam despidos. Apenas os botões mais pequenos e os que não abriram são deixados para os dias seguintes. Ao lado, no chão, os sacos de serapilheira vão ficando cheios de rosas e, pouco a pouco, vão sendo carregados, pelos homens do grupo, para o reboque do tractor. Uma vez cheio, este, por sua vez, vai levar os sacos à usina, que fica ali mesmo, na quinta, para que as flores possam ser processadas e delas extraído o absoluto, um concentrado puro de rosas. Experimentamos, a medo, colher as rosas. Temos sorte, hoje não há abelhas por perto, não são precisas as luvas. Seguramos a rosa entre o indicador e o polegar, torcemos e “clac”. Uma. Outra. E outra vez. Afinal é fácil.

O cheiro das rosas colhidas é inebriante. Forte, ligeiramente enjoativo, não se parece com o perfume das rosas decorativas, de florista, a que estamos habituados. “É normal que assim seja”, explica Joseph Mul. “São rosas para perfumaria, o aroma muda quando são aquecidas a 68 graus, com a ajuda dos solventes. Têm de ser processadas”.

Isso acontece na pequena fábrica de Sotraflor, numa ponta da propriedade, onde Jean-François Vieille, outro membro da família Mul, conduz a corrida contra o tempo. Entre a colheita e o processamento das rosas não podem passar mais de duas horas e meia, sob pena de se perderem as qualidades das flores. Assim que são colhidos 250 quilos de rosas, elas são introduzidas em tanques, mergulhadas num solvente e “cozidas” a 68 graus, durante cerca de cinco horas. Do líquido escorrido no fim deste processo nasce o “concreto”, que depois de seco fica com a aparência de uma cera. É do concreto que, mais tarde, depois de lavado com álcool e filtrado, é extraído o “absoluto”, a verdadeira essência de rosa que é usada a produção do perfume. Cada quilo de concreto rende apenas 600 gramas de absoluto.

Como nasce uma lenda?
Não é um perfume fácil. O “Nº5” ou se ama, ou se odeia, não é possível ficar indiferente a esta fórmula que tem no coração jasmim e rosa, iris e lírios do vale, numa base de vetiver, baunilha, patchouli, âmbar e sandalo, e com notas de topo de bergamota, citrinos, neroli, ylang-ylang, bem como um aldeído – o “Nº5” foi o primeiro perfume a usar ingredientes sintéticos – que se tornou essencial. No total, a fórmula original, criada pelo perfumista Ernest Beaux, ultrapassava os 80 ingredientes. Mas afinal, tirando a complexidade da composição, o que tem de tão especial o “Nº5”, para se ter tornado num bestseller (a cada 30 segundos vende-se um frasco), num ícone de estilo, com direito a figurar entre as obras da arte pop de Andy Warhol e a integrar a colecção permanente de museus como o MoMa?

Se não fosse por mais nada, arriscávamos dizer que tem o ADN de Gabrielle Chanel. Quando à personalidade de uma mulher muito à frente do seu tempo se junta uma boa história de amor, estão reunidas as condições para o sucesso.

Em 1921, quando a fundadora da casa Chanel encomendou a Ernest Beaux (o franco-russo que tinha sido o perfumista oficial da casa real soviética e que se encontrava exilado na Côte D’Azur) um perfume que cheirasse “a mulher” e não “a um balde de flores”, como acontecia com os perfumes que as mulheres respeitáveis usavam na época, ela já sabia que queria fazer história. Pelo menos na história da perfumaria Chanel estava decidida a deixar a sua marca. Sem receio de ostentar a sensualidade feminina, Chanel foi ao bas fond da sociedade parisiense, e aos lugares de má fama frequentados por mulheres da vida, para, inspirada no espírito libertino das flapper dancers, puxar para o mundo burguês ingredientes fortes e sensuais como o patchouli ou o almíscar. “As mulheres devem usar o perfume no sítio onde querem ser beijadas”, costumava dizer.

Nunca foi segredo para ninguém que a história da Casa Chanel se escreveu ao ritmo dos desvarios amorosos da sua fundadora. No começo dos anos 20, o Grão-Duque Dmitri Pavlovich Romanov, que se diz ter sido o assassino de Rasputin, era o mais recente detentor dos afectos de Gabrielle Chanel. Foi ele quem a apresentou a Ernest Beaux, o perfumista dos Romanov.

Reza a história que razões mais profundas do que ofuscar o protagonismo das flores na perfumaria estiveram na origem do “Nº5”. Coco Chanel estaria a viver um período de luto pela morte do grande amor da sua vida, o jogador de pólo inglês Arthur “Boy” Capel, que morreu em 1919 na sequência de um desastre de carro. A criação deste perfume foi uma forma de canalizar a dor para algo de que se pudesse orgulhar. Algo que ficasse, imortal.

Beaux estava na mó de baixo quando conheceu mademoiselle Chanel. A chegada da I Guerra, a queda dos Romanov e a sua ligação à família real russa ditaram o insucesso comercial das suas últimas criações. De tal forma que Beaux se viu obrigado a alistar-se no exército russo ao lado dos aliados. Acabou instalado a norte, junto ao Ártico, numa prisão onde interrogou, entre 1917 e 1919, prisioneiros bolcheviques. Foi durante esta estadia por terras geladas que Beaux tentou capturar a fragrância gélida, pálida e polar da paisagem e introduzi-la na composição de um perfume.

Só o conseguiu fazer mais tarde, já no exílio em Grasse, enquanto aperfeiçoava a fórmula do Nº5 para a sua mais recente cliente. À rosa e ao jasmim de uma fórmula que tinha criado para a imperatriz Catarina da Rússia, juntou notas da frescura polar. Notas estas que conseguiu aperfeiçoar com recurso aos revolucionários aldeídos sintéticos (compostos orgânicos de carbono, oxigénio e hidrogénio manipulados em laboratório) que, usados de forma criativa, funcionavam como boosters do aroma.

Cinco, ou a conta que Deus fez
Beaux apresentou dez amostras de perfume a Coco Chanel, numeradas de 1 a 5 e de 20 a 24. Em cada amostra, uma variação diferente da composição. Chanel preferiu o nº5. E a escolha não foi inocente. Também aqui o espírito de Boy Capel estava presente, fervoroso adepto que foi da numerologia. Para Coco, o 5 sempre foi um número místico que trazia sorte, desde os tempos em que vivia no orfanato, em Aubazine. Cinco significa também “homem perfeito”. Que melhor homenagem ao amante desaparecido? Comunicou a Beaux que “Nº5” seria o nome da fragrância e que até o frasco seria inovador. Na época, os frascos usados em perfumaria eram barrocos e super-trabalhados, em cristal Lalique e Baccarat, quase peças decorativas. Chanel optou por inspirar-se nas linhas masculinas, rectangulares e absolutamente geométricas do pequeno decanter de whisky que Capel trazia sempre consigo.

O passo seguinte foi definir a data de apresentação da novidade ao público. Para alguém tão supersticioso como Gabrielle Chanel, o dia 5 do quinto mês do ano fazia todo o sentido. E assim ficou escolhido o dia 5 de Maio de 1921 (May 5, lembram-se do nome de código?), data em que a Chanel desfilava uma nova colecção, para dar a conhecer ao mundo aquele que viria a tornar-se num ícone da perfumaria.

Guerras e traições
Claro que nem tudo foram rosas e jasmins na história do “Nº5”. Como em quase todas as grandes histórias, no percurso deste perfume também há sangue, suor e lágrimas. A começar pela distribuição e produção. Chanel tinha grandes planos para o seu primeiro perfume. Queria que ele chegasse aos quatro cantos do mundo e para isso precisava de ajuda e fez o que tantas outras casas de moda fazem quando decidem diversificar o negócio: procurou um parceiro. Este apareceu na figura dos irmãos Pierre e Paul Wertheimer, responsáveis, na época, pela casa Bourjois. Com os Wertheimer, Chanel criou, em 1924, a Parfums Chanel, dando-lhes 70% das acções da companhia, ficando ela com apenas 10%. Os restantes 20% foram oferecidos a Théophile Bader, fundador das Galeries Lafayette, que foi quem apresentou os Werteimers a Chanel, em 1922, nas corridas de cavalos de Longchamps, e foi também o primeiro retalhista do “Nº5” fora das boutiques Chanel.

Os Wertheimers ficaram encarregues de financiar a produção, o marketing e a distribuição do “Nº5” e assim o fizeram. Mas, ao fim de uns anos, Coco não estava satisfeita com o resultado da parceria. O sucesso do seu perfume era estrondoso, um fenómeno mundial, e Coco era a única que não beneficiava financeiramente disso. Durante mais de duas décadas, Chanel e os Wertheimer entraram em disputa pelo controlo do negócio.

Há males que vêm por bem, terá pensado Gabrielle Chanel no dia em que o exército nazi invadiu Paris. É que os Wertheimer eram judeus – logo, estavam a ser perseguidos por toda a Europa – e Chanel deu um empurrãozinho ao usar as suas ligações aos oficiais alemães para “tramar” os irmãos que acusava de a terem “enganado”. Numa carta escrita a 5 de Maio (!!!) de 1941, Chanel reclamava a posse como única proprietária do negócio extremamente rentável da Parfums Chanel, da qual o “Nº5” era o porta-estandarte.

Acontece que os Wertheimers eram espertos. Um ano antes, como que a antecipar o que aí vinha, eles passaram o controlo legal da empresa a um industrial francês – e cristão -, Felix Amiot. Com o fim da Guerra, este devolveu, intacta, a Parfums Chanel aos seus proprietários.

Por essa altura, as vendas anuais do “Nº5” ultrapassavam os 9 milhões de dólares e Gabrielle continuava a receber uma ínfima parte dos lucros da sua criação. Partiu então para um novo ataque: decidiu minar a credibilidade da Parfums Chanel, atacando a confiança do consumidor na marca, afectando assim o marketing e a distribuição. Colocou a correr o boato de que o “Nº5” já não era feito com a fórmula original, criada por ela. Sempre que podia, Coco confirmava em público que os standards de qualidade já não eram os mesmos e que ela própria já não queria apadrinhar o produto. O passo seguinte foi anunciar que que ela iria disponibilizar para um grupo selecto de clientes a versão autêntica do perfume com um novo nome: “Mademoiselle Chanel Nº5”.

Mas, mais uma vez, os Wertheimer estavam um passo à frente e já tinham feito diligências no sentido de acautelar que a fórmula do “Nº5” nunca sairia alterada. Decisiva no cumprimento desse objectivo foi a contratação do americano H. Gregory Thomas, que tinha a função de garantir que o fornecimento dos ingredientes-chave do perfume – os óleos de jasmim e rosa, obtidos exclusivamente em Grasse, no Sul de França – se mantinham inexpugnáveis ao longo do tempo (especialmente naquele tempo de guerra). Tão bem fez o seu trabalho que Thomas acabou por ser nomeado Presidente da Chanel US, cargo que manteve durante 32 anos.

A batalha legal que opunha Coco Chanel e a Parfums Chanel – em que a fundadora da marca pedia a interrupção da produção e venda de produtos com o nome da sua casa, reclamando a propriedade sobre os produtos, as fórmulas e processos de manufactura, alegando quebra de qualidade – já ia longa. Foram tempos negros de lavagem de roupa suja em público, já que o processo fez correr tinta na imprensa mundial, especialmente revelando as condutas mais obscuras de Chanel durante a ocupação nazi, trazendo a lume acusações de conluio com as tropas nazis e espionagem… Como tudo isto prejudicava a imagem de Coco – e, consequentemente, o negócio – as partes acabaram por chegar a um acordo, renegociando o contrato de 1924. Chanel passou a receber dois pontos percentuais sobre todas as vendas do “Nº5” no mundo, num total de cerca de 25 milhões de dólares por ano – o que fazia dela uma das mulheres mais ricas do mundo.

Já em paz, os anos passaram e os públicos mudaram. A estratégia tinha de mudar, pois os perfumes estavam em todo o lado, dos department stores às drogarias comuns. Tinham uma imagem antiquada e precisavam urgentemente de um novo posicionamento. Foi Jaques Helleu, director artístico da Parfums Chanel, quem assinou essa mudança estratégica. O “Nº5” voltou aos tempos de glória, com a glamourosa actriz Catherine Deneuve como cabeça de cartaz e filmes publicitários realizados por Ridley Scott como suporte. Foi o regresso aos tempos áureos do cinema. Ligação essa que continuaria mais tarde com Nicole Kidman – e os anúncios que protagonizou foram realizados por Baz Luhrmann –, Marilyn Monroe (até hoje, a estratégia publicitária mais rentável da casa), Audrey Tatou (a eterna Amelie Poulain) e até Brad Pitt (2012), que foi o primeiro rosto masculino a representar a fragrância mais icónica do mundo da perfumaria.

Um perfume da era digital
Chegados a estes dias de 2017, com o novo “Nº5 L’Eau” nos pescoços das novas gerações, já não foi ao glamour do cinema que a Chanel foi buscar a sua embaixadora: foi ao poder das influencers da internet e das redes sociais. A cara escolhida para dar vida à nova interpretação assinada por Olivier Polge tem apenas 16 anos. É Lily-Rose Depp, filha da actriz/cantora Vanessa Paradis com o actor Johnny Depp. Um tiro certeiro em direcção à faixa etária e cultural que a Chanel pretende atingir. “Lily-Rose representa a sua geração e os valores de liberdade e ousadia para atingir a perfeição, emprestando a esta fragrância icónica da casa a sua juventude, frescura e beleza”, declarou a Chanel na altura da revelação da nova musa, durante o Festival de Cannes, em Maio passado.

Um rosto fresco para um aroma igualmente fresco. O novo “Nº5” é mesmo a mais jovem, mais casual, mais contemporânea e mais sexy versão do “Nº5”. É preciso ser audaz para aceitar a responsabilidade de reinterpretar – pela quinta vez – o rei dos perfumes. Ninguém mais talhado para essa tarefa que Olivier Polge, o perfumista de 40 anos que não é nada menos que o filho de Jacques Polge, o último mestre perfumista da Chanel. Polge – Jacques – sucedeu a Henri Robert, por sua vez o herdeiro de Ernest Beaux.

Tímido, introvertido, o charmoso nez actual da Chanel também veio a Grasse para nos contar como foi o processo de criar uma nova história para o “Nº5”, “mais contemporânea, mais fresca, mas sem negar que o aroma original faz parte da identidade da Chanel”. Polge, que se recorda de ter cheirado pela primeira vez o “Nº5” original aos quatro anos de idade, trabalhou durante um ano inteiro neste projecto. Para chegar à fórmula final desde “Nº5 L’Eau”, manteve o pilar floral assente na rosa de Maio – e em todo o seu processo de colheita manual, extracção dos concentrados no próprio dia – com laivos dos clássicos jasmim, aldeído, sandalo e ylang-ylang (este último com recurso a um inovador processo de destilação para um aroma mais verde), acrescentando-lhe notas de cedro, uma novidade na composição onde Polge acha que reside a sensualidade deste novo perfume. O resultado? É chique, fresco, limpo e sexy. Um floral cítrico cremoso que promete manter o “Nº5” no pódio da história da perfumaria.

[Este artigo foi publicado originalmente na revista”Epicur” de Setembro de 2016]

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