Sou só eu a nostálgica dos sabonetes?

Sempre adorei sabonetes. Todos. Aqueles que as avós ofereciam para pôr nas gavetas. Aquele verde, Feno de Portugal, que se vendia nas mercearias – havia uma mesmo por baixo de minha casa, quando eu era adolescente, e o Feno andou de mão em mão lá por casa desde que me lembro. Depois havia aqueles Lux, que tinham uns anúncios que me deixavam fascinada e cheiravam maravilhosamente. Mais tarde apareceram outros com creme hidratante, também muito cheirosos, mas tão cremosos que se desfaziam no banho ao fim de uns dias… De repente, sem quase darmos por isso, a barra de sabão tradicional foi dando lugar ao gel de banho. Paletes deles, com todo o tipo de cheiros, cores e consistências. Com esfoliante, com hidratante, com aloé-vera, com purpurinas e fogo de artifício. Tudo muito contemporâneo, mas lá se foi aquele contacto do sabonete na pele. A pele deixou de cheirar a lavado, passou a cheirar a cheesecake de morangos, a algodão doce, a macaron de caramelo salgado, a coco com monoï… Nada contra, mas as referências são outras. É que tendo a concordar com a máxima que diz que os sabonetes são como a vida: quando achamos que os temos seguros, eles escorregam-se-nos por entre os dedos. E não é tão bom que a vida tenha essa capacidade de nos surpreender?

Queixava-me eu, um destes dias, das saudades do cheirinho a lavanda que vinha das mãos do meu avô João. Recordava com saudade as tardes em que o Sr. Raul, o barbeiro velhote do meu pai, ia lá a casa cortar o cabelo à família inteira. E que fazia a barba ao meu pai à antiga, cortando com a navalha pequenos flocos de sabão que desfazia, numa taça, com água morna e um pincel de aspecto muito vintage. Contava a uma amiga que nunca mais me esqueci do cheiro daquele sabão, a lavadinho, que ficava pela casa toda, com que ficávamos todos depois de passar pela cadeira do Sr. Raul. Quando ela, a minha amiga, que tem um marido que pertence ao meu clube, o dos nostálgicos do sabonete (tenho consciência de que isto pode soar estranho, mas adiante…), me fala neste maravilhoso Soap on a Rope da Musgo Real, uma linha super-antiga da Claus Porto – que, nem de propósito, abriu há pouco mais de seis meses uma loja linda no Chiado, e se prepara para, em Junho, inaugurar um super-espaço de 300 metros quadrados no Porto.

Está lá tudo: o cheirinho, o toque, as memórias-de-outros-tempos-não-tão-longínquos-assim, tudo somado à componente prática do cordão que permite pendurar o sabonete, evitando assim que ele se desfaça com o correr da água no banho. Rendi-me.

Soap on a rope Musgo Real (quatro fragrâncias: Spiced Citrus; Orange Amber, Oak Moss e Classic Scent) – 18,00 euros

Claus Porto
Rua da Misericórdia, 135
Tel.: 917215855
Horário: de segunda a domingo, das 10h00 às 20h00

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *