Na minha wishlist #9

Estou apaixonada por estes óculos. Assim mesmo, cor-de-rosa e tudo, o mais cat-eye possível. Tem uma razão de ser: eles são uma homenagem do criador de moda Karl Lagerfeld à sua gata (e musa), Choupette, conhecida por ser a gata mais snob e mimada de toda a Paris e arredores – quiçá do mundo.

Eu sonho com uma vida igual à da Choupette. Gostava de ter duas empregadas só para mim. Podiam chamar-se Françoise e Merjorie. Acho chiques, os nomes. Guarda-costas e veterinários sempre disponíveis. Gostava de me dar ao luxo de ter “pessoas” a tratar das minhas contas de Instagram e Twitter, onde contassem as minhas luxuosas aventuras felinas. Sobretudo, gostava de ser um animal de estimação com uma conta bancária tão recheada como a desta gata – só em 2014, por ter sido estrela de um spot publicitário para uma marca de carros e por ter um contrato com uma marca de cosméticos, facturou mais de três milhões de euros. Não me lembro de ter facturado nada perto disto com trabalho honesto, mas isso sou eu, que me enganei redondamente na profissão que escolhi. E na espécie animal em que encarnei…

Nas calmas que eu seria a Choupette. Morava em Paris, de caras, no casarão do Karl Lagerfeld. Ia adorar enroscar-me aos pés dele a vê-lo inspirar-se para as colecções da Chanel, da Fendi e da sua marca própria. Tal como a gata Choupette, cuja qualidade mais gabada pelo dono é o facto de “ser silenciosa”, também eu sei ficar caladinha no meu canto. Especialmente quando me fazem cafuné na nuca. Também eu tendo a detestar animais (em particular os da espécie humana) e a ter menos paciência para as crianças dos outros – a não ser que vistam Chanel.

Sem qualquer problema adoptaria os seus caprichos como meus: renda antiga – check. Baús da Goyard personalizados – check. Shopping Bags da Colette – check (e dos bem cheios, por favor). É óbvio que faria questão de me sentar à mesa com o meu dono e de, na sua companhia, desfrutar dos menus desenhados pelo meu nutricionista e confeccionados pelos três chefs de cozinha que escolhi (dos restaurantes Kinugawa, Le Voltaire e Maison du Caviar). E sim, nas viagens não aceitaria menos que um lugar no cockpit de um jacto privado.

Livros como o The Private Life of a High-Flying Fashion Cat (Thames & Hudson) seriam matéria para coleccionar e capas da Vogue, da V e outras publicações de relevo, enfeitariam a sala de troféus que Karl criaria para mim. Claro que, dos milhões que entrariam na minha conta todos os meses, seria ponto de honra doar uma boa parte à fundação Brigitte Bardot, que se dedica a ajudar animais mal-tratados e abandonados. Ok, também podia ser a União Zoófila, vai dar ao mesmo.

Mas chega de cobiçar a vida de gato à francesa da Chou Chou. A minha, para já, resume-se a uma vida de cão… à portuguesa, com tudo o de anedótico, trágico, desenrascado, nostálgico, patriótico e divertido que isso possa ter. Resta-me encomendar os óculos. De lentes cor-de-rosa, para ter um vislumbre colorido do que é a vie en rose da Choupette. Aquela que nunca vou ter.

 

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